Cerrado, entre pantanal e chapadão,
dos pés tortos de um bacupari anão.
Quintal de buritizais e pequizeiros,
do ipê-amarelo e agrestes cajueiros.

Flor anônima que enfeita os escolhos,
e a quaresmeira arroxeando os olhos.
Aquarela invisível dá cor à paisagem,
e os tons do arco-íris: sua maquiagem.

Ninguém olha a caliandra, rosa silvestre,
Que o vento bordou no chão campestre.
Um ecossistema a protege com sua rede.
Chuva e orvalho é que lhe matam a sede.

Graça indômita que encara o depredador,
resistindo ao fogo e ao homem no trator.
Este é o mistério divino da mãe natureza,
cujo sopro inspirador inventou a beleza. 

Rosemarie Schossig Torres

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